Vida e Estilo

Guarda-roupa com histórias: Você tem um?

Fabianna Carraro, em depoimento a Marilia Marasciulo | Colaboração para Nossa

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Minha avó era uma fashionista muito antes de esse conceito existir. As roupas dela eram incríveis, pois ela é quem fazia as próprias peças: comprava o tecido, criava a modelagem e costurava. Todo o guarda-roupa dela era único.

Desde pequena, o armário dela me fascinava. Sempre que a visitava no sítio onde ela morava, em Minas Gerais, pedia para ver o guarda-roupa. Ainda lembro que ela me dizia “mas você gosta de coisa velha, hein, menina, gosta de tranqueira!”. É claro que eu adorava sair com alguma roupa “nova” herdada da minha avó, mas o que eu gostava mesmo era das histórias que ela contava quando ia me mostrando cada peça.

Imagem: Arquivo Pessoal | Fabianna Carraro para Marilia Marasciulo, colaboração para Nossa.

Uma delas foi essa camisa de seda que ela fez para o casamento da irmã. Hoje a camisa tem pelo menos 50 anos. Quando ela me mostrou, fiquei encantada pela modelagem, pelo tecido e pela história do casamento. Mas ela disse que ainda não estava pronta para me dar, então esperei alguns anos, até que ganhei a camisa.

Passei a usá-la muito — não só como camisa, como minha avó gostava de usar, mas como chemise, saída de praia, vestido. Já usei até em festa, com salto alto e acessórios mais chiques. E a camisa permanece firme e forte: tudo nela ainda é original, das ombreiras até os botões.

Minha avó tinha o maior cuidado com as peças e eu pretendo manter isso.

Toda vez que visto a camisa, sinto um pedacinho da minha avó comigo. É como se voltasse para aqueles momentos no quarto, com pilhas de roupas em cima da cama, experimentando as peças e ouvindo as histórias. É quase como uma viagem no tempo.

Mas a camisa se tornou também um símbolo da proposta do meu trabalho hoje: busco mostrar para as pessoas que roupas não são descartáveis.”

Imagem de Capa: Depositphotos.com, foto de Nastya Sklyarova

Elas devem ser doadas, repetidas, contar histórias, carregar afeto.

A moda ganha muito mais significado quando se torna circular, e quanto mais enxuto for o seu armário, mais combinações consegue fazer. A camisa da minha avó é prova disso e me dá essa sensação de dever cumprido: além de guardar com carinho e usar muito, tenho certeza que ela será herdada por minha filha, que vai continuar usando e se lembrando da história da sua bisavó fashionista.

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