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Você já ouviu falar no movimento ” Black Money”?

Ter autonomia financeira é uma das mais eficaz armas para combater  o racismo estrutural de frete.
E durante todo esse tempo pós – escravidão, o que deixou a população negra às margens da sociedade, alguns movimentos e ideologia pretas surgiram para dar esta autonomia financeira aos negros e negras. Mostraremos nesta matéria um deles, o Movimento Black Money.
Movimento “Black Money” surge já de cara com objetivo de  promovendo o empoderamento financeiro de pessoas pretas. Talvez você ainda não tenha ouvido falar neste  termo, mas este é um conceito que vem crescendo. Polêmico para alguns, revolucionário para outros, esse movimento da economia traz novas perspectivas sobre a maneira como consumimos e, principalmente, para quem estamos dando nosso dinheiro.
Conectar pessoas negras de diversas profissões para fortalecer o empreendedorismo e a circulação de recursos financeiros entre a comunidade negra, é o principal foco do movimento Black Money, que coloca em rede não apenas produtos e serviços de pessoas negras, mas também estimula a valorização da negritude e o pertencimento social.
A população negra do Brasil corresponde a 56% dos mais de 200 milhões de brasileiro e o afroempreendedorismo movimenta cerca de 1,73 trilhão por ano. Entretanto, apesar de um cenário que mostra o crescimento da participação negra movimentando este  mercado, segundo uma pesquisa realizada pela Oxfan, organização inglesa de combate à pobreza e desigualdade social, somente, em 2089, seria possível alcançar uma igualdade salarial entre brancos e negros.
Um estudo conduzido pelo Movimento Black Money, plataforma que permite a conexão entre empreendedores e consumidores negros, mostra que 51% dos empreendedores são negros, mas existe uma falta de participação ativa e ocupação de espaços como política, bancos e grandes empresas. Dos afroempreendedores, 61,5% são mulheres, que muitas vezes são mães solteiras, e precisam administrar o tempo entre o trabalho e a casa.
Outro ponto do estudo mostra que empresas de tecnologia não configuram entre as dez indústrias mais relevantes do afroempreendedorismo e as principais áreas são a saúde e estética, e-comerce e publicidade. A dificuldade de acesso a credito e racismo são os principais obstáculos no caminho do sucesso desses empreendedores.
Nina Silva, fundadora do movimento no Brasil, ajuda a incentivar compras e promove cursos de autonomia para aprimorar os negócios de empreendedores negros. Há ainda o D’Black Bank, um “banco digital” com circulação de dinheiro, transferências, educação financeira, taxas mais baixas do que os bancos tradicionais e retorno do lucro para investimento nas capacitações promovidas.
Há também o surgimento de cartões de crédito negros lançados pela Central Única das Favelas (Cufa), pelo Olodum e pela Conta Black. E existe  outro negócio financeiro voltado para a comunidade negra no Brasil, o Conta Black, startup financeira que oferece conta digital. Mas o que une todas essas iniciativas e trazer representatividade também na hora de consumir, e com o crescimento do movimento o aumento da consciência racial
No entanto é importante frisar que o  Movimento Black Money é justamente uma resposta ao racismo institucional que provoca desigualdades. Em uma entrevista ao site Guia Negro, Nina Silva lembra que  “O black money não é pedir para ser incluso. É a união das pessoas negras para boicotar empresas que não nos incluem. É consumir de pessoas como nós e fazer circular o capital econômico e cultural. A ideia não é só gerar riqueza é ter nossas instituições financeiras, educacionais e estar em todas as esferas de poder.

Leticia Benedito

Mulher, preta, futura mamãe de menino, venho de uma família que me trouxe base de empoderamento. Jornalista formada e atuante, Gestora Financeira de formação, e pós-graduada em História e Cultura Africana. Comunicação é o meu amor e ativismo é minha missão! Acredito nos meus ideais, e hoje sei que quero ser a cada dia mais ser uma agente de transformação na vida das pessoas.

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