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2020 o que você aprendeu com ele?

Foto: istockphoto

O ano de 2020 mostrou tantas facetas da sociedade, mostrou tantas práticas erradas que há tempos a humanidade comete. A pandemia do novo coronavírus, mexeu com a estrutural social, sacudiu nosso interior e tirou pessoas da zona de conforto. Quem olhou o ano com olhos diferente, pôde conhecer lados de si mesmo, antes nunca explorados. E esse processo de descobrimento de novas coisas e verdades, eu também passei, ou melhor, ainda estou passando.  

2020 para mim foi também de viver momentos relevantes, tensos,  onde senti, por situações passadas por pessoas que nem ao menos conhecia, mas eu senti por eles. O peso da injustiça, o peso do racismo, do machismo, o peso da desumanidade social, mexeu comigo. E foi aí,  que forcei a minha mente e o meu corpo a buscar novas experiências. 

O meu descobrimento como ser humano na terra, como mulher e como preta, foi de longe o mais intenso e brusco que vivi até agora. Sabe aquelas crenças que carrega dentro de si, que acha que são verdades absolutas e às vezes até impõe para o próximo? Bom, a maioria delas caíram dentro de mim, para a chegada do novo, que analisando hoje fazem muito mais sentido. Filosofias diferentes  me conectaram com os meus ancestrais, me fizeram ressignificar! Abracei o poder que meus antepassados  e irmão africanos pregam: Se wo were fi na wo sankofa a yenkyi”, que significa “Não é tabu voltar para trás e recuperar o que você esqueceu (perdeu)” – SANKOFA – “Volte e pegue” (palavra de origem ganesa, proveniente da língua twi ou axante).  E claro que não poderia deixar de citar, que a teologia espiritual negra foi a alavanca principal para esse processo de redescoberta. Tudo começou através dela!

Mas e agora, quais os próximos passos? O que fazer com todas essas novas informações? Não dá para deixar passar mais tempo. 

Então vamos partilhar, amar e ajudar! 

Na cultura africana a lei do “eu” (sozinho),  não existe, eles acreditam que para serem seres de crescentes de evolução e conquista, o outro, ser humano também faz parte disso:  “Sou o que sou pelo que nós somos – UBUNTU”. E o ubuntu nada mais é que: a solidariedade, a cooperação, o respeito, o acolhimento, a generosidade, entre muitas outras ações que realizamos em sintonia com a nossa alma (com o nosso ser interno), buscando o nosso bem-estar e o de todos à nossa volta. Como já dizia Nelson Mandela – “O UBUNTU não significa que uma pessoa não se preocupe com o seu progresso pessoal. A questão é: o meu progresso pessoal está ao serviço do progresso da minha comunidade? Isso é o mais importante na vida. E se uma pessoa conseguir viver assim, terá atingido algo muito importante e admirável.” 

E este sentido de coletividade é o que vai fazer com possamos mudar o curso na humanidade. Mas saiba, não existe apenas uma verdade, uma crença certa, uma religião principal ou  apenas um jeito de amar e viver. A verdade e o conhecimento não correspondem a algo único, acabado ou absoluto, mas sim elementos determinados por  perspectivas distintas. Então descubra outras faces da humanidade para que assim o sentido da vida e diálogos plurais e acolhedores atinjam mais pessoas; pessoas quais você nem imaginaria conseguir  atingir, ou nem poderia atingir se continuasse tendo pensamentos e ações conservadoras. 

O mundo, seu país, seu estado, sua cidade, seu bairro, sua comunidade, sua família está precisando disso, estão com sede de algo que pode dar um maior sentido à vida deles. A população da minoria está necessitando com urgência conhecer as outras verdades nunca antes contadas, assim o tão sonhado empoderamento e força irão brotar. Então doe! Seu tempo, suas falas, seus conhecimentos ao próximo pois “ Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber – Atos 20:35”

 

2021 é o tempo de fazer o novo, para que as gerações vindouras colham coisas novas! 

Feliz Natal e um abençoado Ano Novo. 

Leticia Benedito

Mulher, preta, futura mamãe de menino, venho de uma família que me trouxe base de empoderamento. Jornalista formada e atuante, Gestora Financeira de formação, e pós-graduada em História e Cultura Africana. Comunicação é o meu amor e ativismo é minha missão! Acredito nos meus ideais, e hoje sei que quero ser a cada dia mais ser uma agente de transformação na vida das pessoas.

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